Este é um novo século, inaugurado pelos deuses, governado pelos deuses. Incontáveis dimensões se submetem aos seus caprichos, e todas as criaturas vivas são meros brinquedos em suas mãos. Este foi o d
— Xiaoru, o que houve com você? Por que está se comportando mal?
— Eu não fiz nada, prima.
— Gente direita não pinta o cabelo de rosa! Fica parecendo uma dessas garotas da noite.
As vozes chegavam aos ouvidos, seguidas pelo barulho caótico da cidade. Confusa, a consciência de Xia Yu foi retornando devagar do abismo escuro.
Ao abrir os olhos, enxergou pela janela do ônibus as aldeias alinhadas lado a lado. O sol do inverno era suave, gentil, sem a mínima agressividade ou arrogância. Envolvia o corpo de forma delicada, quase sonolenta, sem dar ânimo algum.
Acabara de acordar e ainda estava sonolenta. Seguiu o som das vozes e olhou para dentro do ônibus.
Era o ônibus da linha 333. Incluindo ela, havia quinze pessoas. A maioria tinha o rosto cansado, todos exibindo sinais de saúde precária ou mesmo doentia, e ninguém mostrava qualquer sinal de vigilância.
A cena não fazia sentido algum, impossível de se ver num mundo apocalíptico dominado por sangue, matança e traição!
Será que eu fui drogada?
Xia Yu despertou de súbito, apertando com força a caneta presa ao livro. Num movimento rápido, pressionou o dedo indicador, soltando a tampa e revelando a ponta da caneta. O olhar, afiado como o de uma águia, vasculhou ao redor. Os músculos estavam tensos, pronta para agir a qualquer momento.
Não está certo.
A força estava errada; uma caneta tão frágil, mesmo ferida, ela poderia quebrá-la facilmente com um simples aperto.
Além disso, não fora drogada!
Sobrevivendo dez anos no fim do mundo, Xia Yu treinara uma