Parece que desde o início nunca teve família. O jovem Wu Xinyu, desde que se lembra, sobrevive sozinho na capital imperial, catando lixo e fazendo bicos para conseguir se sustentar. Aos quatorze anos,
O céu estava carregado de nuvens, tornando difícil até mesmo respirar.
Sobre as águas agitadas do rio, uma pequena embarcação de madeira lutava para se manter à tona, como se a qualquer momento pudesse ser engolida pelas ondas e afundar.
Dez minutos antes.
— Tem mesmo que ser assim...
Era uma mulher de meia-idade, com traços cansados, mas cuja beleza ainda era evidente apesar do desgaste. Diante dela, estava um homem corpulento, de músculos salientes e modos rudes, que segurava nos braços um bebê delicado.
A cena era de tal forma que alguém poderia até pensar que aquele homem e o bebê pertenciam a espécies diferentes.
— É um inútil, nasceu sem um pingo de energia espiritual. Se isso se espalhar, onde vou enfiar a cara?!
— Mas você poderia deixá-lo para outra pessoa criar, por que precisa tirar-lhe a vida?
O homem musculoso ficou em silêncio por um instante.
— Mesmo que fosse criado por outro, cedo ou tarde a verdade viria à tona. Além disso, essa criança não possui energia espiritual alguma; ainda que chegue à idade adulta, só conhecerá sofrimento.
Se o destino realmente não quiser que ele morra, que atravesse o rio e seja encontrado por alguém de bom coração.
Ele não disse isso em voz alta. Em vez de fazer sua esposa sofrer com o peso do destino, preferiu que ela simplesmente o odiasse.
Os seres humanos são assim: embora sintam milhares de emoções complexas, num dado momento apenas algumas poucas coexistem, e sempre há uma que prevalece sobre as demais.
Quando um sentimento se impõe, os outros