As pessoas costumam pensar que sou uma boa pessoa apenas por causa de uma aparência agradável. Heh. Sua existência é, na verdade, a desgraça de todos.
O céu estava completamente limpo, sem uma única nuvem, o sol ardia no alto, e o azul celeste parecia ter sido lavado, tão puro e translúcido que era. Os raios dourados do início da primavera caíam sem obstáculos, enquanto o vento suave das salgueiras trazia uma sensação de preguiça e conforto, fazendo qualquer um querer fechar os olhos e saborear aquela paz despreocupada.
Porém, para os trabalhadores dedicados, não havia tempo para esse tipo de lazer; afogados em montanhas de tarefas, viviam à deriva entre sonhos e realidade. Os jornalistas eram exatamente assim.
Naquele momento, mais de trinta repórteres se espalhavam dos dois lados da rua, aguardando sob o sol escaldante. Mesmo sem conversas ruidosas, o som sutil de cochichos fazia o ar vibrar com o calor fervente, como se cada poro exalasse lava.
Atrás deles, erguia-se a sede da Brilho Fluente Filmes, uma das sete maiores produtoras do ramo. A placa de vidro reluzia sob o sol, refletindo um arco-íris de luzes. Para os astros mais cobiçados do setor, esse tipo de cena era corriqueira — acontecia a cada dois ou três dias; e, comparado a escândalos realmente impactantes, o cenário de agora era quase trivial.
Nem os seguranças à porta pareciam impressionados. Funcionários iam e vinham apressados pelo saguão, imersos em suas tarefas, sem sequer lançar um olhar. Lá fora, sob o sol inclemente, o ambiente contrastava fortemente com o conforto do interior.
Os jornalistas, apesar de conversarem displicentemente, mantinham todos os sentidos atentos, observando o movimento dos carros nas duas direçõe